(Autor
Desconhecido)
ANTES DO INÍCIO
Vivemos em números, falamos em
números e assistimos a números para nos entreter.
Números
governam nossas vidas, nos acordam, nos dizem aonde ir, como chegar lá e quando
partir. Números são juízes de tudo, avaliam e comparam com completa autoridade
e desapaixonadamente. Mas números também mentem; pode significar qualquer
coisa, menos a verdade. Podem salvar nossas vidas, e o amor pelo tipo errado de
números talvez leve á ruína.
Números podem ser nossos amigos,
nossos salva-vidas e talismãs. Números também podem matar. Você é feito de
números. Eu também.
Milhares
de anos atrás, quando não havia diferença alguma entre ciência e religião, os
números pareciam encerrar a chave para a compreensão do Universo. Eles podiam
não escorrer diante de nossos olhos como uma cena de Matrix, mas, sob muitas
formas, escondiam-se números importantes que pareciam comuns demais para serem
frutos de mera coincidência. As mesmas razões sempre reapareciam na natureza,
talvez entre o diâmetro de um círculo e sua circunferência, ou na curvatura de
conchas marinhas. As mesmas formas geométricas e os números nelas embutidos
continuavam a ser descobertos em lugares improváveis, como o espaçamento dos
planetas em nosso sistema solar. Mesmo algo tão improvável como uma
velocidade-por exemplo, a velocidade da luz-parecia estar no cerne da
construção de nosso Universo. Naqueles tempos, acreditava-se em geral que esses
números indicavam o misterioso projeto de Deus. Uma compreensão deles seria
semelhante à leitura de mensagens divinas escritas na trama de existência.
Aqueles pioneiros e temerários que ousaram explorar os territórios não mapeados
dos números estavam procurando a própria substância do mundo. Desfiavam os
detalhes da vida, do Universo e de todas as coisas. Suas soluções não foram um
número único, mas toda uma coleção de números importantes, bem como as
ferramentas para manipulá-los.
Hoje a
ciência substitui a religião. Ainda acreditamos que existam números imensamente
importantes associados a nosso Universo. Agora sabemos que eles são os padrões
visíveis da tapeçaria de que tudo foi feito. Alguns padrões na tapeçaria são
tecidos em fios tão grossos que atraem o olhar de imediato: números como ∏, ℮
e Ѳ. Alguns formam a maior parte
do material: números como 0, 1, 2, 3, e
. Uns sobressaem como manchas acidentais
no tecido, como 10 e 13. Outros números e conceitos, como C e ∞, apontam
para o tamanho e a forma da tapeçaria.
Alguns, como i, são visíveis apenas como tênues
ondulações de complexidade que fluem através do tecido.
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